Sempre me disseram que o mundo era lindo e que eu
precisava desesperadamente conhecê-lo e isso me despertou uma enorme
curiosidade de ver tudo com os meus próprios olhos.
Minha mãe me disse que o mundo era perigoso demais e que
as pessoas não eram como eu imaginava que fossem. Fiquei mais curiosa e cada
vez mais eu sentia necessidade de cair no mundo, de descobrir tudo de belo e de
louco que ele tinha para me oferecer.
Eu ouvi meu pai gritar furioso quase com fumaça saindo
pelas narinas “Não vá” enquanto eu jogava as malas no porta-malas sem me
importar com mais nada. Eu finalmente estava quebrando minhas correntes,
cortando meu cordão umbilical e pela primeira vez na minha vida fazendo algo
que eu realmente quisesse fazer sem me preocupar com o que fossem dizer sobre
mim.
Os raios de sol tocavam minha pele naquela manhã
ensolarada enquanto o vento invadia o carro pelas janelas arreganhadas e fazia
meus cabelos loiros voarem assim como eu estava voando, voando para além do meu
lar.
Me senti livre, senti que estava respirando e gostei da
sensação de liberdade. Estava feliz como jamais tinha estado antes, estava
livre e poderia conhecer os lugares que antes nunca pude e fazer coisas que
antes não podia fazer.
Agora eu poderia conhecer pessoas diferentes, lugares
diferentes e quando eu me cansasse, poderia simplesmente me mudar de novo e
conhecer outro lugar porque agora eu era livre, livre no mundo, livre e
desesperada para poder voar e conhecer tudo o que ele tinha para me mostrar.
Nada é maior do que minha fome de viajar, de me perder,
de me encontrar, de me sentir livre e de ter a certeza de que agora eu posso
começar a fazer os meus sonhos se tornarem realidade porque agora o meu carro é
o meu único endereço, o meu único lar.
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